
Ufa!!! Voltei! Fiquei um pouco sumido daqui. Alguns problemas domésticos me forçaram a ficar fora desse mundo virtual durante alguns dias. E depois, para ajudar, o meu pc foi para o “estaleiro” (por que será que esse pessoal de informática promete as coisas para um dia e entrega 2 dias depois?). Esses dias que estive fora da blogaysfera aconteceram algumas coisas no mundo real que quero compartilhar com vocês, meus companheiros de jornada. Vamos lá:
Depois de alguns meses fazendo parte dos que são beneficiados com o seguro-desemprego, finalmente surge uma oportunidade real de emprego. Ainda não assinei contrato, mas já foi confirmada minha contratação. Estou sentindo como se estivessem tirando um peso de cima de mim. Olha, não é a toa que dizem que ficar desempregado é uma das situações mais estressantes que um homem pode enfrentar! Espero não ter que passar por isso de novo. Não tenho definição ainda de meus horários de trabalho. Se sumir de novo, já sabem qual será o motivo agora. Pelo menos até eu sentar e redesenhar minha rotina.
Outra coisa aconteceu e essa me deixou muito pensativo. Já disse aqui que vivo em um mundo extremamente homofóbico. Mas mesmo nessa situação, percebi em alguns dos quem convivo que são da irmandade. Meu gaydar acendia a luz rosa quando os observava com um pouco mais de atenção. Pois bem, esses dias atrás estava eu assistindo tv quando o telefone toca. Quando atendi me assustei. Do outro lado uma amiga aos prantos me pedia que fosse até a casa dela. Tentei saber o que estava acontecendo, mas ela pediu que fosse até lá. E lá fui eu. Quando cheguei, a situação que vi me lembrou esses episódios de trágedia, onde os parentes se desesperam com a morte trágica de alguém querido. Ela, o marido e o filho aos prantos. O motivo? Existia uma desconfiança nossa (minha e de outros amigos) de que o filho do casal, um rapaz de 17 anos, que tinha um modo meio, digamos, delicado, fosse da irmandade. Surgiu uma suspeita de que ele havia entrado em salas de bate-papo gay usando um pc de um outro amigo nosso (ele deixou rastros na máquina!). Os pais o confrontaram para saber se era verdade. Ele não só confessou que tinha entrado em salas de bate-papo como também que tinha saído com vários caras. Esse era o motivo da choradeira que vi. Algumas frases que escutei lá: “ele acabou com nossa vida!”, “eu dava tudo pra ele, porque fez isso, onde eu errei?”, “eu estraguei a vida de meus pais, mas eu quero mudar, não vou fazer mais isso”. Imaginaram a cena? E eu lá no meio. Justo eu! É redundância dizer que fiquei atônito, paralisado, sem saber o que falar ou fazer. Fiz o que achei mais urgente, tentai acalmar o povo, fazer a razão voltar a imperar.
A situação teve alguns desdobramentos que não convém dizer aqui, mas tudo isso me fez refletir um pouco. Primeiro, por que essa reação exagerada, como se alguém fosse morto tragicamente? É sempre assim que acontece quando se revela que temos simplesmente uma atração por homens? Será que é assim que ocorreria se eu revelasse o que sinto e o que já fiz? Me dá medo em pensar nisso. Mas eu sei que estou sujeito a isso. Tudo isso só reforçou o que penso sobre como devo lidar com essa situação e que já falei aqui: continuar com meu “outting” homeopático. Essa situação também me deixou um pouco constrangido. Sim, porque me vi refletido no rapaz, no sofrimento que ele deve estar passando, no pensamento de que é possivel mudar o que se sente, quando não é possível isso. Queria poder ter dito a ele que isso não é o fim do mundo, que não tem como se “curar”, que ele não é um doente por ter essa atração. Mas não podia fazer nada disso sem me expor. É horrivel esse sentimento de impotência, de querer ajudar mas não poder. Esse é um dos tributos que pago pela escolha que fiz. Fazer o que!
Para terminar, coloquei o video de uma música que curto muito, “Fake Plastic Trees” do Radiohead. Já tinha esquecido dela (ela é de 1995), mas nesses dias que estava exilado do mundo virtual, em um programa de clips na TV, a ouvi de novo. Ela foi anunciada como a “melancólica música do Radiohead”. E não é que bateu com o que eu estava sentindo?
Depois de alguns meses fazendo parte dos que são beneficiados com o seguro-desemprego, finalmente surge uma oportunidade real de emprego. Ainda não assinei contrato, mas já foi confirmada minha contratação. Estou sentindo como se estivessem tirando um peso de cima de mim. Olha, não é a toa que dizem que ficar desempregado é uma das situações mais estressantes que um homem pode enfrentar! Espero não ter que passar por isso de novo. Não tenho definição ainda de meus horários de trabalho. Se sumir de novo, já sabem qual será o motivo agora. Pelo menos até eu sentar e redesenhar minha rotina.
Outra coisa aconteceu e essa me deixou muito pensativo. Já disse aqui que vivo em um mundo extremamente homofóbico. Mas mesmo nessa situação, percebi em alguns dos quem convivo que são da irmandade. Meu gaydar acendia a luz rosa quando os observava com um pouco mais de atenção. Pois bem, esses dias atrás estava eu assistindo tv quando o telefone toca. Quando atendi me assustei. Do outro lado uma amiga aos prantos me pedia que fosse até a casa dela. Tentei saber o que estava acontecendo, mas ela pediu que fosse até lá. E lá fui eu. Quando cheguei, a situação que vi me lembrou esses episódios de trágedia, onde os parentes se desesperam com a morte trágica de alguém querido. Ela, o marido e o filho aos prantos. O motivo? Existia uma desconfiança nossa (minha e de outros amigos) de que o filho do casal, um rapaz de 17 anos, que tinha um modo meio, digamos, delicado, fosse da irmandade. Surgiu uma suspeita de que ele havia entrado em salas de bate-papo gay usando um pc de um outro amigo nosso (ele deixou rastros na máquina!). Os pais o confrontaram para saber se era verdade. Ele não só confessou que tinha entrado em salas de bate-papo como também que tinha saído com vários caras. Esse era o motivo da choradeira que vi. Algumas frases que escutei lá: “ele acabou com nossa vida!”, “eu dava tudo pra ele, porque fez isso, onde eu errei?”, “eu estraguei a vida de meus pais, mas eu quero mudar, não vou fazer mais isso”. Imaginaram a cena? E eu lá no meio. Justo eu! É redundância dizer que fiquei atônito, paralisado, sem saber o que falar ou fazer. Fiz o que achei mais urgente, tentai acalmar o povo, fazer a razão voltar a imperar.
A situação teve alguns desdobramentos que não convém dizer aqui, mas tudo isso me fez refletir um pouco. Primeiro, por que essa reação exagerada, como se alguém fosse morto tragicamente? É sempre assim que acontece quando se revela que temos simplesmente uma atração por homens? Será que é assim que ocorreria se eu revelasse o que sinto e o que já fiz? Me dá medo em pensar nisso. Mas eu sei que estou sujeito a isso. Tudo isso só reforçou o que penso sobre como devo lidar com essa situação e que já falei aqui: continuar com meu “outting” homeopático. Essa situação também me deixou um pouco constrangido. Sim, porque me vi refletido no rapaz, no sofrimento que ele deve estar passando, no pensamento de que é possivel mudar o que se sente, quando não é possível isso. Queria poder ter dito a ele que isso não é o fim do mundo, que não tem como se “curar”, que ele não é um doente por ter essa atração. Mas não podia fazer nada disso sem me expor. É horrivel esse sentimento de impotência, de querer ajudar mas não poder. Esse é um dos tributos que pago pela escolha que fiz. Fazer o que!
Para terminar, coloquei o video de uma música que curto muito, “Fake Plastic Trees” do Radiohead. Já tinha esquecido dela (ela é de 1995), mas nesses dias que estava exilado do mundo virtual, em um programa de clips na TV, a ouvi de novo. Ela foi anunciada como a “melancólica música do Radiohead”. E não é que bateu com o que eu estava sentindo?

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