domingo, 29 de julho de 2007

Resiliência

Voltando as aulas de física. Resiliência é a propriedade que alguns materiais tem de superar uma pressão, voltando ao seu estado original sem ser alterado. Ou seja, ele recupera-se ou adapta-se rapidamente. Um exemplo, a espuma que recebendo uma pressão se deforma e terminada a pressão volta ao seu estado original. Esse termo também é usado no dia-a-dia para descrever a capacidade que as pessoas tem de, diante de um problema, uma situação adversa, se recuperar e, como dizem, dar a volta por cima tirando proveito do sofrimento ou da situação adversa. Você é resiliente? Ou é um “homem de vidro”, que quando recebe uma chapoletada da vida se quebra em mil pedaços?

Fazendo um restrospecto, acho que sou resiliente. Aliás, a minha resiliência vêm sendo testada muito nesses últimos meses. Há um ano átras, pensava estar seguro em um bom emprego, embora não trabalhasse em repartição pública ou orgão do governo. Nesse ano, inesperadamente perdi o emprego. Alegação para demissão: corte de custos (não dá para competir com os filhos do patrão!). Fiquei durante uns 2 dias sem chão ou horizonte. Me senti o substrato do pó do peido do cavalo do bandido (é assim mesmo que escreve Latinha?). Até que decidi mudar minha vida, deixar de ser o coitadinho que é digno da pena. Esse abalo que tive, rachou de vez a represa que segurava meus desejos secretos. Parece não ter nada a ver uma coisa com a outra né? Mas tem. Cansei de tentar agir seguindo um determinado padrão e só levar na cabeça. Decidi explorar, conhecer, experimentar o “proibido”. Aproveitar mais a vida, não ser tão certinho sempre. Não querendo dizer com isso que iria agir de maneira desonesta ou desleal. Ai já seria mudança de caráter, o que não aconteceu. Mudei apenas meu ponto de vista sobre um assunto. Ou seja, de uma situação aparentemente desfavorável eu tirei lições e corrigi algumas coisas. E agora aqui estou eu me preparando para uma nova situação, um novo emprego, na qual minha resiliência vai ser primordial para começar de novo, em um novo desafio. Começando de baixo de novo. Nessa montanha russa que é nossa vida, achava que estava numa subida, mas inesperadamente desci e agora começo uma nova subida.

Se formos parar para analisar, tudo ou quase tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Mesmo nas piores situações, podemos tirar algo de bom. No começo, no auge da tempestade, talvez não vejamos nada de bom. Mas depois de passar a tormenta, encontramos as plantas que resistiram a tempestade pela sua flexibilidade. Não dá para viver isento de problemas. É como disse Michael Jansen: “A felicidade não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.” Porisso, não adianta bater de frente com as dificuldades e problemas e ser destruido por eles. É preciso ter o ponto de vista correto sobre eles. Isso sim faz a diferença. Tem uma poesia do Drummond que fala exatamente sobre isso. Faz tempo que não coloco uma aqui né? Então com vocês e para vocês, Carlos Drummond de Andrade:

"Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Exílio


Ufa!!! Voltei! Fiquei um pouco sumido daqui. Alguns problemas domésticos me forçaram a ficar fora desse mundo virtual durante alguns dias. E depois, para ajudar, o meu pc foi para o “estaleiro” (por que será que esse pessoal de informática promete as coisas para um dia e entrega 2 dias depois?). Esses dias que estive fora da blogaysfera aconteceram algumas coisas no mundo real que quero compartilhar com vocês, meus companheiros de jornada. Vamos lá:

Depois de alguns meses fazendo parte dos que são beneficiados com o seguro-desemprego, finalmente surge uma oportunidade real de emprego. Ainda não assinei contrato, mas já foi confirmada minha contratação. Estou sentindo como se estivessem tirando um peso de cima de mim. Olha, não é a toa que dizem que ficar desempregado é uma das situações mais estressantes que um homem pode enfrentar! Espero não ter que passar por isso de novo. Não tenho definição ainda de meus horários de trabalho. Se sumir de novo, já sabem qual será o motivo agora. Pelo menos até eu sentar e redesenhar minha rotina.

Outra coisa aconteceu e essa me deixou muito pensativo. Já disse aqui que vivo em um mundo extremamente homofóbico. Mas mesmo nessa situação, percebi em alguns dos quem convivo que são da irmandade. Meu gaydar acendia a luz rosa quando os observava com um pouco mais de atenção. Pois bem, esses dias atrás estava eu assistindo tv quando o telefone toca. Quando atendi me assustei. Do outro lado uma amiga aos prantos me pedia que fosse até a casa dela. Tentei saber o que estava acontecendo, mas ela pediu que fosse até lá. E lá fui eu. Quando cheguei, a situação que vi me lembrou esses episódios de trágedia, onde os parentes se desesperam com a morte trágica de alguém querido. Ela, o marido e o filho aos prantos. O motivo? Existia uma desconfiança nossa (minha e de outros amigos) de que o filho do casal, um rapaz de 17 anos, que tinha um modo meio, digamos, delicado, fosse da irmandade. Surgiu uma suspeita de que ele havia entrado em salas de bate-papo gay usando um pc de um outro amigo nosso (ele deixou rastros na máquina!). Os pais o confrontaram para saber se era verdade. Ele não só confessou que tinha entrado em salas de bate-papo como também que tinha saído com vários caras. Esse era o motivo da choradeira que vi. Algumas frases que escutei lá: “ele acabou com nossa vida!”, “eu dava tudo pra ele, porque fez isso, onde eu errei?”, “eu estraguei a vida de meus pais, mas eu quero mudar, não vou fazer mais isso”. Imaginaram a cena? E eu lá no meio. Justo eu! É redundância dizer que fiquei atônito, paralisado, sem saber o que falar ou fazer. Fiz o que achei mais urgente, tentai acalmar o povo, fazer a razão voltar a imperar.

A situação teve alguns desdobramentos que não convém dizer aqui, mas tudo isso me fez refletir um pouco. Primeiro, por que essa reação exagerada, como se alguém fosse morto tragicamente? É sempre assim que acontece quando se revela que temos simplesmente uma atração por homens? Será que é assim que ocorreria se eu revelasse o que sinto e o que já fiz? Me dá medo em pensar nisso. Mas eu sei que estou sujeito a isso. Tudo isso só reforçou o que penso sobre como devo lidar com essa situação e que já falei aqui: continuar com meu “outting” homeopático. Essa situação também me deixou um pouco constrangido. Sim, porque me vi refletido no rapaz, no sofrimento que ele deve estar passando, no pensamento de que é possivel mudar o que se sente, quando não é possível isso. Queria poder ter dito a ele que isso não é o fim do mundo, que não tem como se “curar”, que ele não é um doente por ter essa atração. Mas não podia fazer nada disso sem me expor. É horrivel esse sentimento de impotência, de querer ajudar mas não poder. Esse é um dos tributos que pago pela escolha que fiz. Fazer o que!

Para terminar, coloquei o video de uma música que curto muito, “Fake Plastic Trees” do Radiohead. Já tinha esquecido dela (ela é de 1995), mas nesses dias que estava exilado do mundo virtual, em um programa de clips na TV, a ouvi de novo. Ela foi anunciada como a “melancólica música do Radiohead”. E não é que bateu com o que eu estava sentindo?



segunda-feira, 9 de julho de 2007

Virtual


No principio, era a empolgação. Um admirável (e virtual) mundo novo, onde máscaras não existiam. Um lugar onde não importava se eu era branco, negro, amarelo, azul ou rosa. Não importava se era gordo, magro ou malhado. Podia ser eu mesmo. Podia conversar com outros da mesma espécie. Mostrei minha alma, minha essência. Vi almas alheias. Fiz amigos. Cúmplices. Desabafei. Chorei. Ri. Me emocionei com histórias de amor vividas por outros. Aqui criei coragem e saí do virtual e no mundo real realizei desejos há muito reprimidos. Extrapolei limites. Experimentei novas sensações.

Mas esse mundo tem seu “dark side”. E ele se manifesta algumas vezes. Me sinto isolado as vezes. Sabe quando você está numa roda de amigos e ninguém conversa com você? Talvez isso seja minha carência se manifestando. Como filho único, sempre tive essa necessidade de receber aprovação e atenção. Mas o que mais me incomoda nesse mundo virtual é não poder olhar nos olhos daqueles com quem converso e captar suas reações. Não consigo discernir se falam a verdade ou não, se estão sendo sinceros ou não. Recentemente passei por uma situação com um certo alguém que ilustra isso.

O conheci pelo Manhunt. Ou melhor, ele me contatou. Seus olhos logo me chamaram a atenção (duas coisas me chamam a atenção logo de cara em um homem: os olhos e, como um bom brasileiro, a bunda). Eram de um verde fascinante. O adicionei como um de meus contatos no MSN e teclamos algumas vezes. Quando percebi, estava fascinado por ele. E ele correspondia. Só havia um detalhe: 450 km nos separavam. Um estado inteiro entre nós. Fui aconselhado por uns amigos blogueiros a “sair dessa antes que seja tarde”. Não ouvi o conselho. Fizemos planos para ele vir aqui ou eu ir até ele. Enquanto isso não se realizava, nos víamos pela web cam. Me mandou fotos suas, músicas e conversamos pelo telefone. Até fui questionado se queria ser seu namorado (achei melhor conversar sobre isso pessoalmente e não pelo MSN). E conversávamos sempre que ele podia. Um dia não o vi on line. O dia seguinte também. E o outro. O que aconteceu? Um pensamento negro surgiu na minha mente. Será? Fui bloqueado? Para acabar com a dúvida, decidi bancar o detetive. Ele estava off line. O adicionei em um outro MSN que tenho. Logo em seguida ele aceitou. Estava on line! Perguntou quem eu era. Meu coração acelerou, minhas mãos tremiam, um nó na garganta me sufocava. O que aconteceu? Revelei quem eu era e perguntei: “Vc me bloqueou? Pq?”. “Não. Deixa eu ver. Ue, vc sumiu dos meus contatos, acho que apaguei sem querer” (!!!!??). “Pq fez isso?” continuei questionando. Ele, gaguejou, tentou explicar. Renovou promessas e eu . . . eu acreditei. Por que algumas vezes pensamos com o coração e não com o cérebro? Continuamos a conversar outros dias. Até que tudo se repetiu. Ele off line por dias seguidos. Eu com o coração apertado. Novamente o detetive Bob atuou e descobriu que ele estava on line. Chega! Por que agir assim? Por que não dizer que não queria mais nada? Uma razão apenas.

Episódios como esse, revelam o lado negro do mundo virtual. Afinal ele, o mundo virtual, tem como origem pessoas, com suas falhas e vícios. Mas também suas virtudes. Pessoas confusas e inseguras habitam-no. Mas também, pessoas sinceras e verdadeiras. E essas fazem valer a pena continuar aqui. Como um certo cara, que venho conversando a algumas semanas e que também conheci em um site de relacionamentos (o disponível). Ele também não mora aqui em minha cidade, mas mora a 66 km daqui (bem mais perto que o outro!). Não é blogueiro (ainda). Converso com ele praticamente todos os dias e quanto prazer isso me dá! Tenho por ele um carinho especial, coisa de amigo, vamos deixar claro. Ele me alegra, me faz dar gargalhadas, me emociona às vezes. Tem uma alma linda! Nesse mês vamos nos conhecer pessoalmente e espero que com isso possamos sacramentar nossa amizade. Tem também meus amigos blogayros, que alegram minha existência no mundo virtual. Enfim, pessoas que anulam qualquer péssima experiência com os dissimulados do mundo virtual.

Mas essas péssimas experiências tem o seu lado positivo. Thomas Edison no processo de invenção da lâmpada elétrica, tentou e falhou muitas vezes, alguns falam em mais de 1.000 tentativas fracassadas! Conta-se que alguém perguntou a Edison se ele, desanimado por todos os seus fracassos, não pensou em desistir. E ele respondeu: “Aqueles foram passos do caminho. Em cada tentativa, eu encontrava um modo de não criar a lâmpada elétrica. Eu estava sempre disposto a aprender, mesmo através dos meus erros”. Ele descobriu mais de 1.000 maneiras de não criar um lâmpada. Assim também, eu aprendi uma maneira de não agir no mundo virtual.

sábado, 30 de junho de 2007

Preconceito


“Quem não deve não teme. . . Conheço a família dele, sua índole e seu caráter há 11 anos, desde que ele começou a jogar.” Essas palavras foram ditas por Julio Fressato, empresário do jogador de futebol Richarlyson, comentando uma afirmação feita por um diretor do Palmeiras no programa Bate Bola da Record. O imbróglio todo foi o seguinte: esse diretor, José Cyrillo Jr., quando indagado no programa sobre quem seria o jogador que estaria negociando assumir sua homossexualidade no Fantástico da Rede Globo, citou o nome do jogador Richarlyson (se quiser ver o vídeo dessa gafe do diretor do Palmeiras, clique aqui). Mas o fato é que, bastou essa afirmação para desencadear mais uma onda de preconceito, machismo e frases infelizes contra os gays. Por exemplo, a declaração do empresário do jogador. Pela ótica dele, os gays não tem índole e nem caráter. Somos um bando de pervertidos, é isso? Tudo bem, existem alguns homens gays que tem o lema “demais nunca é bastante”. Mas isso é um comportamento que não é exclusivo dos gays. Homens héteros também agem assim. Isso é um comportamento do homem, independente de orientação sexual. A mãe do jogador também saiu em defesa do filho, dizendo: “Eu sei que ele não é, não precisa mostrar nada para ninguém. . . Ele é um menino muito amável”. Também numa suposta página do jogador no Orkut, o rapaz foi chamado perjorativamente de “seu boiola”, “viadinho” e “bambi”. Qual o motivo de toda essa homofobia? Se ele é ou não gay é um assunto que diz respeito apenas a ele. Mas se ele ou outro jogador qualquer for gay e assumir isso publicamente, esse ato se torna uma heresia. Por que? Será que por assumir sua orientação sexual o atleta perde suas habilidades? É claro que não! Ou será que por ser uma figura de destaque na mídia ele passa a influenciar negativamente os jovens com seu comportamento “bizarro”? Absurdo isso! Seria sim uma atitude de coragem, porque o futebol é um reduto machista por excelência. Seria uma quebra de paradigma interessante essa. Ou vai me dizer que no futebol não existem jogadores gays camuflados? Segundo alguns estudos, 10% da população é gay, então entre 11 jogadores de um time em campo, estatisticamente falando 1 é gay.

Na realidade se usam situações como essa para exercitar o preconceito que existe contra aqueles que são diferentes. Se tenta mostrar que ser homossexual é negativo e depreciador. Me cansa isso. Já é díficil viver nas sombras e não poder ser o que realmente sou. Mas, como aquele sujeito que está remando contra a correnteza sabe muito bem, se pararmos de avançar a correnteza nos leva. Então brothers, vamos continuar a remar contra a correnteza do preconceito! Nem que for para avançar poucos milimetros. Quem disse que grandes mudanças ocorrem assim, de uma hora para outra. Não, não é assim. Darwin nos ensinou que a evolução é lenta e gradual. Aos poucos esses preconceitos são derrubados. Mas como é difícil isso! Albert Einstein já dizia: “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.”

terça-feira, 26 de junho de 2007

Instantâneo


Estava pensando em como nós estamos em constante evolução. Somos verdadeiros mutantes: o que éramos ontem é diferente do que somos hoje, que por sua vez será diferente do que seremos amanhã. Lembro de como era um tempo atrás e como estou diferente agora em vários aspectos. Muitas coisas que acreditava, não acredito mais. Coisas que não gostava, passei a gostar. Atos que jurava que nunca iria fazer, fiz, repeti e gostei. O blog mesmo é um registro dessa mudança. As vezes leio posts antigos e penso: “como fui escrever isso?”, “que coisa ridícula!”. Mas, embora tenha vontade de apagar, deixo lá como um registro de minha evolução.

Por isso, acho interessantes esses desafios que pipocam pelos blogs. Como o que o Luiz Pep me convocou a responder. Eles servem como um registro instantâneo do que somos ou pensamos. Um registro para depois lamentarmos ter escrito ou darmos boas gargalhadas. Então, com vocês minhas respostas ao desafio do sete:

Sete coisas que não faço:
Praticar pára-quedismo (tenho pavor de altura), fumar, dirigir moto, me drogar, urinar em mijadouros de banheiros públicos (já tentei, trava o canal e não sai nada), comer jaca e me atrasar para compromissos.

Sete coisas que me encantam:
Um céu estrelado, a gargalhada de um bebê, a imensidão do mar, uma longa e duradoura amizade, um concerto ao vivo, uma história bem contada e, claro, o corpo masculino.

Sete coisas que odeio:
Ser desprezado, política, preconceito (seja ele qual for), escorpião, violência (verbal ou física), o tédio e filas.

Bom, eu teria que passar esse desafio para outros. Mas vou contrariar a regra. Quem quiser responder ao desafio, sinta-se desafiado.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

O Pinto


Acho que foi no final do ano passado que li uma nota, na qual o cantor Enrique Iglesias admitiu que tem um pênis pequeno e que até iria lançar uma linha de camisinhas para homens como ele, portadores de pênis pequeno. Foi corajoso o rapaz. Sim, porque esse assunto, o tamanho do pau, é uma assunto que desperta controvérsias entre nós, machos da espécie. Desde pequeno existe aquela brincadeira de ficar comparando o tamanho do pipi para ver quem tem o maior. Quando o cara cresce a coisa continua. Vai me dizer que nunca deu uma espichada de olho quando vai urinar em um banheiro público para conferir o tamanho do cacete do cara ao lado? Ou no vestiário da academia ou clube, lança aquele olhar de relance para o bilau alheio? É uma preocupação generalizada com o tamanho da espada. Isso é tão sério que até pesquisas fizeram. Urologistas ingleses mediram 11.500 caralhos e concluíram que metade dos homens consideram seu amigão pequeno (se algum pesquisador brasileiro quiser fazer essa pesquisa aqui, me ofereço como voluntário para aferir o documento do homem brasileiro e até dou uma sugestão: confiram também o tamanho do dito cujo em estado de alerta, não apenas em estado de dormência, hehe). Mas qual o tamanho de falo pode ser considerado pequeno? Dizem que se o bráulio tiver 7cm ou menos quando duro é considerado micro-pênis. A média de tamanho é entre 14 a 16 cm ereto.

Mas por quê essa preocupação excessiva com o tamanho do ferrão? Será que o tamanho é o mais importante numa transa? Será que ter uma tromba de elefante entre as pernas é garantia de uma transa satisfatória? Eu acho que não. Aliás acho até um problema. Imagine o estrago que isso causa. Isso sem falar que o possante está sempre perdendo para a lei da gravidade, sempre apontando pra baixo (por causa do tamanho, haja sangue para botar isso de pé!) quando deveria apontar para o céu. É uma preocupação até irritante essa. Quando estou em algum chat, sempre surge aquela pergunta: “quanto mede?” Minha resposta invariavelmente é: “não sei, nunca medi, deve ter uns 16, 17”. Para que essa preocupação?

Quando estava na fase de desejo gay contido, vi vários exemplares da fauna peniana em sites e revistas. Agora, do alto dos meus três meses de experiência prática, tendo visto ao vivo e via MSN vários exemplares da fauna peniana, posso garantir que não importa o tamanho da varinha, mas sim como você a usa para fazer a mágica (frasezinha clichê essa hein?). Prefiro muito mais a exploração sensorial que antecede a ação propriamente dita do instrumento de prazer. Àquela hora em que os cinco sentidos atuam: o tato, sentindo a textura da pele, dos pêlos, o calor do corpo, o toque ora suave ora firme; o olfato, cheirando o corpo, aquele perfume estrategicamente colocado, o aroma de prazer no ar; o paladar, os lábios e a língua explorando não só a boca mas todo o corpo e especialmente a área onde a rola vive e adjacências; a audição, ouvindo aquelas frases que incendeiam a imaginação ou um gemido de excitação e prazer; e finalmente a visão, o olhos captando imagens que alimentam o desejo. Vai me dizer que você não curte isso? Não quero dizer com isso que não goste da fase da penetração. Não me entenda mal. Mas é que a transa é um conjunto formado de vários elementos. Só que alguns, com essa síndrome do pinto pequeno, acabam estragando isso, focando demais em algo que deveria fazer parte do conjunto. E acabam frustrados por isso. E você? Está satisfeito com o tamanho de sua vara?


p.s. – se quiserem ver uma lista interessante de nomes alternativos dados para o pênis cliquem aqui. Eu tirei alguns nomes daí para escrever esse post. Tem cada um!!
Outra coisa. Recebi um convite do Luiz Pep para participar de outra brincadeira como aquela do “se eu fosse. . .”. Eu ia colocar neste post as respostas, mas achei melhor não, senão ficaria muito grande. Luiz, no próximo post eu respondo, ok?

sábado, 9 de junho de 2007

Beijo


Contaminado pelo clima de “love is in the air” que paira em alguns blogs, bem como pela proximidade do dia dos namorados, me inspirei para escrever sobre algo que é uma unanimidade: o beijo. Um ato de entrega, não com os lábios, mas com o coração e que nunca deve ser dado com olhos abertos porque essa é a forma mais cega de beijar. Um segredo contado entre silêncios. Ele é a menor distância entre os apaixonados. É um procedimento inteligentemente desenvolvido para a interrupção mútua da fala quando as palavras tornam-se desnecessárias. Sim, ele é uma forma de diálogo. Não mata a fome, mas abre o apetite. Ele pode determinar se um simples encontro se transformará em um relacionamento. É também o termômetro de uma relação. Se não existir mais na vida a dois, o relacionamento não existe mais, é apenas uma convivência e a relação precisa ser reavaliada. E a sabedoria popular nos diz que é como o ferro elétrico: liga em cima e esquenta embaixo. Pode não ser muito higiênico, mas é a mais deliciosa maneira de se conseguir uns germes! Essas foram algumas frases que encontrei sobre o beijo. E achei algumas coisas interessantes sobre o beijo também.

Alguns fatos históricos sobre o beijo. Os chineses o consideravam a primeira “onda do amor”, a primeira manifestação entre duas pessoas que desejam se amar. Eles afirmavam que o beijo seria fundamental para que “a barca do amor carnal deslize sobre rios de voluptuosidade”. Os romanos tinham 3 tipos de beijos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas em amigos íntimos; e o suavium, que era o beijo dos amantes. Na linguagem dos esquimós, a palavra que designa beijar é a mesma que serve para dizer cheirar. Por isso, no chamado "beijo de esquimó", eles esfregam os narizes. No Nordeste brasileiro, também se usa a palavra "cheiro" no lugar de "beijo". Em 1920 foi criada a expressão beijo francês, aquele em que as línguas se entrelaçam, o beijo de lingua. O livro Kama Sutra - escrito entre os anos 100 e 400 D.C.- já valorizava diversas formas de beijar, como o 'Beijo de virar a cabeça' que é o beijo que se dá em seu parceiro quando ele está ocupado com algo que está lhe preocupando, de modo a afastar a tensão da mente dele e trazer pensamentos de amor. Ainda segundo o Kama Sutra, a maior parte do corpo reage ao beijo, por isso, quanto mais próximo é o beijo dos órgãos sexuais, mais intenso é o prazer. A intensidade do beijo varia de acordo com o local do corpo em que é aplicado e pode ser moderado, pressionado ou suave. Para os árabes, o beijo durante o ato sexual é indispensável. Segundo eles o melhor beijo é aquele dado com a boca umedecida e combinado com a sucção dos lábios e da língua. Nesse tipo de beijo a língua deve ser suavemente mordiscada. O indiano Ananga Ranga -livro semelhante ao Kama Sutra- recomenda que certos tipos de beijos devem fazer parte da fase inicial das preliminares como o: No Ghatika, beijo na nuca; No Uttaroshtha, beijo no lábio superior e Pratibodha, beijo do despertar, onde um dos parceiros, ao encontrar o outro dormindo encosta os lábios no outro, aumentando a pressão até que ele acorde. Ufa! Não deu uma vontade doida de beijar?

Agora alguns fatos biológicos sobre o beijo. Uma explicação científica para as sensações agradáveis que o beijo proporciona: durante o beijo são liberados neurotransmissores - substâncias químicas que transmitem mensagens ao corpo - provocando um estado de leveza física e emocional. Quando duas pessoas se beijam, a hipófise, o tálamo e o hipotálamo trabalham juntos na liberação dessas substâncias. Durante um beijo são mobilizados 29 músculos, sendo 17 linguais. Os batimentos cardíacos podem aumentam de 70 para 150, melhorando a oxigenação do sangue, o que mostra que o beijo tem também benefícios para o coração. O beijo queima calorias. Acredita-se que um beijo caprichado consuma cerca de 12 calorias Mas há um detalhe, no beijo há uma considerável troca de substâncias, 9 miligramas de água, 0,7 decigramas de albumina, 0,8 miligramas de matérias gordurosas, 0,5 miligramas de sais minerais, sem falar em outras 18 substâncias orgânicas, cerca de 250 bactérias, e uma grande quantidade de vírus. Mas quem pensa nisso na hora do beijo?

Sabia que existem algumas técnicas para beijar? Dicas que o tornam ainda mais gostoso? Por exemplo, alterne os beijos com e sem língua, para que sejam sensuais e sexuais ao mesmo tempo. Os beijos "sem língua" não devem se limitar a lábios contra lábios: brinque com eles, prenda um dos lábios de seu parceiro com os seus, beije-o, passe-o por todo seu rosto, suas bochechas, sua testa, suas pálpebras. Introduza a língua na boca de seu parceiro e mordisque com suavidade seus lábios, pressionando um pouco, de modo que o beijo se transforme em uma leve mordida. Recorra o interior da boca com a língua, introduza-a no espaço onde o lábio superior se une com as gengivas e acaricie-as. Isto produz cosquinhas excitantes. Explore este espaço onde se unem as gengivas e o lábio inferior. Aventure-se e explore os pontos mais sensíveis do corpo do parceiro. Durante o beijo, aproveite para acariciar as mãos, os cabelos, as costas, ou segure o rosto dele em suas mãos. Faça do beijo um acontecimento único.

Chega né? A vontade de beijar está insuportável? Então brother, beije muuuuito. Daqueles de tirar o fôlego, que te faz esquecer que o mundo existe. Se o objeto de sua paixão estiver aí ao seu lado agora, dê-lhe um beijo bem dado (aplique as técnicas descritas acima). Se não estiver, a próxima vez que o ver agarre-o, sem se importar onde estiver e beije-o. Se não tiver ninguém habitando seu coração atualmente, desculpe-me pela vontade que te fiz passar. Não desanime, logo você encontra alguém para matar sua vontade. Enquanto isso, curta um clip com algumas belas imagens de beijos do filme Brokeback Mountain. Esse clip vai como minha singela homenagem aos apaixonados de plantão!